Andrea Lages Para ela, uma das Master Trainers em Coaching de mais detaque do mundo e co-fundadora – com Joseph O’Connor – da ICC, “O mundo de amanhã está aqui agora”, mas para conseguirmos o que sonhamos “temos que agregar ação às metas. Porque se o futuro não é o resultado das ações de cada um e todos juntos, o que é?”
Por Tatiana Vega P.

 

Conhecida mundialmente como treinadora de Coaching de máximo prestígio, Andrea Lages, juntamente com seu parceiro, Joseph O’Connor, uma pessoa que fez muito para desenvolver e ensinar esta disciplina, que está a emergir como uma ferramenta indispensável para o desenvolvimento e evolução de indivíduos, empresas e organizações.

Ela é Master Trainer em Coaching e em Programação Neurolingüística (PNL). Com O’Connor, co-fundou a International Coaching Community (ICC), sediada em Londres, a maior organização de Coaching do mundo e a de maior presença nos setores organizacionais da Europa, Ásia, América do Norte e Sul (agora com mais de 8.000 coaches em 60 países), sócia co-fundadora e CEO da Lambent do Brasil, empresa de consultoria e formação de treinadores com sede em São Paulo. Participou como treinadora na pós-graduação em Coaching Executivo na Universidade de Derby, na Inglaterra, um curso oferecido a presidentes de Estados e CEO’s das grandes empresas, inclusive multinacionais.

Ela vive em Londres e ministra cursos, workshops e treinamentos de Coaching, PNL, habilidades da comunicação, pensamento sistêmico, liderança, metas e outros tópicos a indivíduos, instituições e empresas, passando sua filosofia, o modelo e as ferramentas que permitam que as pessoas sejam capazes de alcançar as mudanças e transformações de que necessitam; em vários países da América, Europa e Ásia. É co-autora dos best sellers Coaching con PNL, Como ser um Master Coach e Como o Coaching funciona. Junto com Joseph O’Connor esteve no Chile faz alguns anos participando como treinadora na Certificação Internacional em Coaching da ICC, convidados pela Inpact S.A.

Contudo, de todos os seus muitos títulos e créditos, o que nos parece que melhor a expressa como pessoa e o de “exploradora de seres humanos” com o qual se apresentou nesta entrevista para os leitores da Icimag.

O mundo que conhecemos está sofrendo fortes mudanças, e parece que ninguém sabe muito bem até onde se dirigem essas mudanças, nem sequer os líderes mundiais. Qual papel você acha que o Coaching desempenha neste cenário mundial de instabilidade em todos os âmbitos? Esta é uma pergunta muito interessante. Porque, em essência, temos dois pontos de vista dos clientes potenciais. Uma delas é que o coaching é supérfluo, que em tempos de crise você tem que ajustar as suas finanças e dinheiro para tratar somente o que é extremamente necessário.

O outro ponto é daquelas pessoas que conseguem ver mais além e percebem que, se forem o melhor que podem, terão definitivamente um diferencial que fará com que não apenas sobrevivam, mas que se destaquem em seu meio, na sua profissão e seu ambiente. Na minha opinião, estas pessoas que fazem coaching agora (embora talvez ainda não tenham feito), são os vencedores de amanhã, os sobreviventes da crise.

Quando percebemos de quais competências necessitamos para superar uma crise, podemos verificar quais delas possuímos e quais precisamos desenvolver.

Flexibilidade
Você acha que desta crise surja um novo modelo econômico, ou pelo menos um novo tipo de pensamento econômico ou empresarial? Que tipo de modelo poderia ser?
Não sou economista e não posso falar de novos possíveis modelos econômicos… O que eu posso dizer, como Coach e formadora de Coaches, e acima de tudo, como exploradora do ser humano em tantas culturas diferentes, é que a palavra de ordem agora é “flexibilidade”. A grande maioria dos cidadãos em todo o mundo está neste exato momento, tentando adaptar suas necessidades às suas possibilidades, da melhor maneira que podem. O que essas pessoas tem em comum é que precisam de um bom plano de ação, para pegar o melhor que tem e saber como fazer para se sobressaírem neste momento. Eu conheço um ditado que para mim é uma grande verdade, que é “Onde muitos vêem crise, alguns vêem oportunidade!” Ou seja, cabe a você usar o melhor que tem para avançar. Porque modelos econômicos são criados e desaparecem a cada momento. Somos nós que temos que criar uma estratégia sólida para “passarmos” por eles intactos.

Que mudanças, provenientes de um processo de Coaching, o ser humano, como indivíduo, poderia incorporar à sua vida, para enfrentar as mudanças à frente, produtos da queda dos paradigmas econômicos e ecológicos?
Em meu ponto de vista, o Coaching é um processo generativo. Ou seja, você aprende (e cambya), não só no momento, mas como pessoa. E mais, aprende a como utilizar o que já sabe fazer em outras áreas, na sua área de interesse atual. Logo, se, por exemplo, você é muito bom comunicador no seu aspecto social, como pode aplicar a mesma habilidade em outros aspectos de sua vida? Quando percebemos de quais competências necessitamos para superar uma crise, podemos verificar quais delas possuímos e quais precisamos desenvolver. Isso parece simples, mas o que entendo, é o que faz diferença entre as pessoas e os resultados que obtêm. O erro mais freqüente que vejo está relacionado a uma crença de que as pessoas que são boas em alguma área, “são” bons por natureza e ponto final, ou seja, já nascem “prontos”. Penso que as pessoas boas em alguma área dão um passo a cada dia, e o que realmente faz a diferença é a quantia de seus esforços e a clareza que tem em relação ao que ainda não sabem.

Você acredita no que se referem alguns pensadores, que a nossa interpretação da realidade é o que cria nosso futuro? Será que podemos realmente “co-criar” o futuro? Qual seria, na sua opinião, o processo para isso?
Tem que ter cuidado em relação a este tema… Se me perguntar se metas podem ajudar a criar o futuro, responderei que sim. Mas, de imediato me explico, porque não estou falando de qualquer tipo de magia em que apenas queremos algo e conseguimos do nada.
A questão não é só o que queremos, e sim “como planejamos fazer”. Porque o simples ato de estabelecer uma meta não faz dela uma realidade.
Há um ponto chave (fundamental), que é o que quero esclarecer. O segredo por trás das metas eficazes e bem sucedidas é AÇÃO! Metas sem ação são o que chamamos de “sonhos”. E por isso, Joseph e eu, criamos uma metáfora para as metas: “Sonhos com pernas!”
Ou seja, somente idealizar o que queremos, como por exemplo, este mundo melhor para nossos filhos e netos (e mais além!), não cria o mundo como ele teria que ser, mas certamente é uma semente, um começo. A magia só acontece quando se toma como um compromisso e faz-se o que tem que fazer. A verdade é que o mundo de amanhã está aqui e agora, de certo modo, se considerarmos que somos nós, através de nossas ações, que o criamos. Penso que já é hora de tomarmos consciência que está realmente em nossas mãos. Porque se o futuro não é resultado das ações de cada um e de todos, o que é? É lógico ou produtivo colocar nas mãos de outros (ou da sorte) se as conseqüências nós e nossas famílias vivemos?
A questão não é simplesmente o que queremos, e sim “como planejamos fazer”. Porque o simples fato de estabelecer uma meta não faz dela realidade.

Sobrevivência
Que papel terá os valores em uma nova e diferente visão do mundo? Que valores são esses? Fala de algo fundamental. Valor é algo positivo que todos querem viver, receber e oferecer. Paz, amor, satisfação, respeito, liberdade… Então, me pergunto quantas atitudes devem e deverão ser tomadas, de fato, em torno do valor “sobrevivência”.

Você mencionou antes os aspectos econômicos e ecológicos. Muitos de nossos problemas estão relacionados a eles. E ambos estão relacionados com este mesmo valor. Porque afinal, valores existem muitos, mas se não sobrevivermos para vivê-los, de que nos servem?
Penso que a questão não é apenas “que” valores, mas também “como” os honraremos a partir de agora. E eu acho que a palavra de ordem agora, em maior ou menor grau, e em diferentes aspectos, é: sobrevivência.

Que papel está tendo o Coaching na América do Sul? E no Terceiro Mundo em Geral?
O Coaching tem uma presença cada vez mais forte na América do Sul e no Terceiro Mundo. Quando começamos a oferecer o Curso de Certificação em Coaching nos países da América Latina e no mundo, a grande maioria das pessoas aqui nunca havia escutado a palavra Coaching! Agora, quando vemos o número crescente de escolas tentando atrair pessoas que usam essa palavra, percebemos que as pessoas estão olhando para a atualidade.
O Coaching está tomando uma posição muito importante e, por isso corre certo risco. Porque embora esteja sendo oferecido por muitas pessoas dispostas e capazes, existem muitas outras que não têm idéia do que estão falando quando se referem a isto.
O problema é que, se para conseguir mais trabalho alguém utiliza um conceito (neste caso, o coaching) e o vende, mas não para entregar-lo de forma satisfatória, a pessoa que o comprou (o cliente) pode pensar que o Coaching não é algo bom. Pode criar uma confusão no mercado, que gera dificuldades a todos.
Mas então, as pessoas estão aprendendo a selecionar os profissionais, que de certa forma é uma espécie de seleção natural, a médio e longo prazo.
Ao fim do dia, eu vejo que o Coaching é algo que veio para ficar, para fazer diferença e aproximar-se do nível da concorrência que temos neste mundo globalizado.

O Coaching é então, algo mais que uma moda passageira? Pelo que tenho notado nos últimos (vários) anos, o coaching está cada vez mais presente e reconhecido como ferramenta fundamental de desenvolvimento, não só na América Latina, mas sim em todo o mundo.
Através de nossa metodologia e da ICC, já certificamos mais de 8.000 pessoas em 60 países pelo mundo. E recebemos cada vez mais convites para ir a outros países, o que, sem dúvida, é uma expressão clara e direta que o Coaching está aqui e agora e não há nenhuma previsão de para onde ir, a não ser para cima!

Ética
Que qualidades pessoais deve ter um bom coach?
Em primeiro lugar, a ética. Fundamental em todas as profissões e também no Coaching. Logo, tem que saber escutar, o que não é tão simples como parece. A honestidade é algo importante também, porque o coach tem que ser o mais transparente o possível com seu cliente e jamais tentar manipulá-lo a nada.

Depois de mencionadas essas características, naturalmente, tem que treinar com uma boa e reconhecida metodologia, e acima de tudo prática. Porque somente a boa formação e a prática darão as ferramentas que você necessita. E é claro, seguir praticando e aprendendo sempre.
Os melhores treinadores nunca crêem que são “os melhores”, porque uma das preocupações do coach é que podemos sempre melhorar, se estamos trabalhando nisso.
O bom coach tem que ser o exemplo vivo daquilo que quer para seu cliente, e isso não tem nada a ver, necessariamente, com ter uma “vida perfeita”, mas sim tirar melhor proveito de todas as situações, ação e reação sempre com atitude e curiosidade de aprendiz.
Que valor você dá às perguntas em um bom processo de Coaching?
As perguntas são a alma do Coaching. Sem elas, o Coaching não existe.

Entrevista autorizada para a Publicação.
Por: Andrea Lages. Master Trainers em Coaching
www.lambent.com

Lambent – International Coaching Training
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